terça-feira, 8 de abril de 2014

Paraíso Negro

    Olhei pela janela e a chuva caía, imaginei as lágrimas que me fizeste derramar naquele dia em que me despedi de ti, sem piedades as gotas batem no chão, fecho os olhos e não consigo esquecer o monstro que se esconde dentro de ti. Não valia a pena estar ali, fechei a janela com força e comecei por agarrar e partir tudo o que eu encontrava à minha frente. Estava tão magoada por ter descoberto o teu verdadeiro eu. A hora de seguir em frente chegou e tenho de te enfrentar se é isso que temes irei o fazer. 
     Abri a porta de casa a chuva tinha aumentado de intensidade, a minha determinação era de tal ordem que nem sentia o frio da água percorrerem o meu corpo, beijando a minha pele de forma intensa. Já era de noite ninguém encontrava-se na rua, esta gélida e escura fez-me sentir arrepios a subirem pelo meu corpo desde os meus pés descalços ao meu pescoço, olhei em todas as direcções algo se preparava para aparecer sentia um ambiente pesado, claustrofóbico. As luzes dos candeeiros de rua apagaram-se, a minha respiração acelerou, fechei os olhos e sinto-me nas trevas, tenho medo que sejas tu, ninguém se compara a ti, sei que sou forte pensei. Fechei os punhos, apertei-os com força e respirei fundo ganhando coragem, quando abri os olhos eras tu, erguias um punhal de madeira e espetas-te-mo no coração, as minhas forças enfraqueceram, a minha respiração era lenta e difícil. 
     Tudo o que tinha e sentia estava prestes a acabar ali mesmo na calçada, olhei para ti e tu com o teu dedo não me deixas-te falar, simplesmente disseste dorme bem.
          



Escrito por: 

Jane Lee

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