terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cubículo Escuro


A chuva acabava de se despedir, abri os olhos sentindo-me um pouco mais descansada embora o frio e as roupas coladas ao meu corpo fosse uma dor de cabeça, levantei-me e limpei o meu rosto, o meu cabelo, e tentei dar um jeito ao meu vestido. A fome aumentava a cada segundo que passasse, sentei no banco e questionei para onde iria agora, não tinha dinheiro, iria andar por caminhos desconhecidos a pé, a minha cabeça estava uma confusão, percorri então a pequena vila á procura de alternativas, passei por uma tabacaria e li por alto todas as capas de jornal, nem uma novidade de emprego, dirigi-me a lojas, cafés e uma pequena escola se haveriam de precisar de alguma empregada, estava disposta a fazer tudo o que fosse possível para ganhar umas meras moedas, que pudesse comprar um pão na padaria.
Chorei pois todas as portas foram batidas na minha cara, ninguém daria emprego a uma pobre e suja rapariga, andei pelas ruas escuras como se fosse um rato a esconder-me do mundo lá fora, sentei-me num canto escuro colocando os joelhos no peito e olhando para o céu a escurecer e pedir ajuda a ti meu anjo que me viesses ajudar, o lugar onde me encontrava era do mais pestilento possível, o cheiro era insuportável, o lixo era aos montes, e ratazanas andavam num frenesim sobre ele, penso que não me importava já de ser comida por uma, encostei a cabeça á parede esburacada e adormeci.
Cheiro a fumo de cigarros acordou-me, estava noutro lugar, num armazém com peças de carros todas cheias de ferrugem, olhei para mim e deparei-me que estava nua e amarrada, gritei com aflição, o que me tinham feito, entrei completamente em pânico, esperneando e agitando o meu corpo rapidamente.
Um homem, alto, magro, com um olhar negro, apareceu à minha frente e declarou que ia ter outra noite inesquecível e que ontem eu o levei ao céu com o meu corpo inconsciente. Começou a desapertar as calças, tentei desprender-me e fugir dali, ele ria-se da minha expressão e ainda o excitava mais, abriu as minhas pernas, tirou para fora o seu pénis e penetrou-me com toda a sua força, gritei derramando lágrimas dos meus olhos, ajuda-me meu anjo murmurava, o homem gemia com prazer, só queria que aquilo tudo acaba-se e fosse apenas um pesadelo. Depois de se ter divertido, deixou-me ali deitada e começou a bater no meu corpo com o seu sinto e pontapeando-o, já nem conseguia gritar de dor, fiquei estática olhando para nada , as memorias dos bons momentos vividos foram relembradas e amadas o meu coração não conseguia parar de chorar, as lágrimas caiam dos meus olhos como se fosse esquecida uma torneira aberta em algum sitio.



Jane Lee

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